REVIEW ORI AND THE BLIND FOREST
Ori and the Blind Forest é um game de plataforma 2D com elementos de ação disponível para Xbox Onee PC. Desenvolvido pela Moon Studios e publicado pela Microsoft, o jogo foi promovido durante a E3 2014como um exclusivo de peso do console mais recente da empresa de Bill Gates. A aventura do miúdo espírito da floresta consegue exceder todas as expectativas possíveis: é uma obra-prima comovente e fantástica em todos os sentidos.
Quando um jogo consegue tocar a alma
Talvez a maior virtude de Ori and the Blind Forest seja sua capacidade de envolver o jogador em apenas 10 minutos de jogatina, mesmo sem apresentar a extensa floresta de Nibel. A narrativa inicial, que introduz a fábula, sabe como ninguém brincar com emoções, uma vez que alterna momentos de gratidão, afeto, tristeza e solidão.
É difícil falar sobre a obra de arte da Moon Studios sem ressaltar o apelo sentimental explícito desde o primeiro vídeo de gameplay apresentado no ano passado. Sem usar muitas palavras, o título consegue fascinar com simples gestos e ações, que parecem ter saído de um conto de fadas.
Na trama, o jogador assume o papel de Ori, um guardião da floresta órfão que ficou sob os cuidados de Naru, um ser que se dedica de corpo e alma à jovem criatura. Quando tudo parecia perfeito, eis que uma misteriosa catástrofe sobrenatural surge para assolar Nibel. Como consequência, o pequeno ser branco acaba se separando de Naru para embarcar em uma perigosa jornada de autoconhecimento.
No decorrer da aventura, Ori descobre que, para restaurar Nibel, será preciso reacender os três elementos da Luz amparados pela Árvore dos Espíritos: o “Elemento das Águas”, localizado no topo da Árvore de Ginso, o “Elemento dos Ventos”, guardado a sete chaves nas profundezas das Ruínas Abandonadas e o “Elemento do Calor”, escondido abaixo do fogo de Monte Horu.
Um conto de fadas de quebrar a cabeça
Ori and the Blind Forest tem toda a pinta de ser um jogo acessível, com personagens fofinhos e um visual brilhante e colorido pintado a mão. Porém, o título adota o clássico estilo “Metroidvania”, no qual é necessário andar para lá e para cá em busca de portas secretas, itens, etc.
O vasto mapa da floresta de Nibel abre de acordo com o progresso de Ori na trama. O jogador pode perambular livremente por densas florestas, ruínas e lagos. É válido lembrar que The Blind Forest pouco ajuda em situações labirínticas.
A única orientação do jogo é indicar o destino final. Sendo assim, o percurso deve ser definido pelo próprio jogador, que muitas vezes acabará se deparando com exigentes desafios malabarísticos. Embora o universo fantasioso seja bastante convidativo, os caminhos podem ser torturantes o bastante para fazê-lo desligar o console.
O nível de complexidade não é absurdo, é verdade, mas os checkpoints manuais amplificam a dificuldade dos objetivos. O sistema de saves funciona da seguinte forma: ao coletar células de energia na natureza, Ori é capaz de acendê-las para criar um Elo da alma, que possibilita que salvamentos em locais estratégicos.
Pressentiu a morte antes de encarar um certo monstro? Então não se esqueça de criar um checkpoint, pois, caso a premonição vire realidade, o seu destino será o último ponto salvo. Durante os testes do TechTudo, perdemos as contas de quantas vezes esquecemos de criar checkpoints, resultando em uma experiência bem frustrante.
Ori and the Blind Forest é capaz de punir sem piedade, fazendo o jogador regredir ao morrer para um sapo aparentemente inofensivo ou para uma armadilha de espinhos estrategicamente ocultada no cenário. O sistema de saves não é algo negativo, muito pelo contrário. Ele consegue afastar Ori do padrão de salvamento automático típico de jogos do gênero.
“Farmando” em todos os lugares
O combate do game é competente e extremamente fácil de ser aprendido, oferecendo uma movimentação fluida e precisa, que usa e abusa da verticalidade. Ori utiliza seus movimentos acrobáticos para ultrapassar trechos sinuosos recheados de obstáculos perigosos e superfícies complexas.
Enquanto Ori escapa de investidas inimigas, Sein, um ser luminoso que o acompanha, desfere raios poderosos para acabar com as criaturas rivais. Ao longo da jogatina, o protagonista pode realizar upgrades para melhorar certas habilidades, como o dano de ataque de Sein e os efeitos de restauração das células de vida, por exemplo.
Todos os inimigos geram pequenas células douradas. Assim como em um típico sistema de RPG, o jovem órfão precisa acumular orbs para desbloquear novas técnicas na árvore de habilidades.O sistema, ainda que funcione bem, é prejudicado pela simplificada dinâmica de acumular XP. Afinal, os inimigos renascem infinitamente, o que acaba facilitando a etapa de “farmar”, tornando-a demasiadamente descomplicada.
Basicamente, uma animação blockbuster jogável
Tecnicamente falando, Ori and the Blind Forest é um dos jogos mais marcantes lançados nos últimos tempos. Sinceramente, não lembro quando foi a última vez em que um game de plataforma conseguiu aliar com tanta maestria uma trilha sonora com composições orquestradas originais, uma narrativa poética e emotiva e um visual artístico digno de animação blockbuster.
Nao há sequer um trecho desprovido de criatividade e capricho. Todos os elementos da floresta de Nibel foram minuciosamente trabalhados à mão para imergir o jogador em uma fábula que toca no coração e flerta com a perfeição.
Por possuir um vasto universo de fantasia, é surpreendente ver que nenhum ambiente foi reaproveitado. Aqui, felizmente, não existe a sensação de “eu já vi isso antes”, já que cada área oferece uma diversidade absurda de fauna e flora, intercalando entre cenários belíssimos e cheios de vida e locais obscuros escravizados pela maldade.
Conclusão
Ori and the Blind Forest é uma verdadeira obra-prima que, certamente, merece um lugar especial no coração dos amantes de jogos. Com um visual artístico de encher os olhos, uma jogabilidade extremamente competente e uma trama que toca a alma, o game já garantiu um lugar cativo na lista dos melhores de 2015.
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